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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
ESCOLAR INDÍGENA NO BRASIL
Domingos Nobre
A
Educação Escolar Indígena no Brasil atravessou
historicamente três períodos distintos, que se
subdividem em cinco fases, conforme D’Angelis (2005):
O primeiro período - “A Escola de Catequese” -
que coincide historicamente com os dois primeiros
séculos de colonização, vai de 1549 (data da chegada dos
primeiros jesuítas) a 1759/67 (datas da expulsão dos
Jesuítas dos territórios portugueses e espanhóis
respectivamente), esteve basicamente sob a
responsabilidade de missionários, portugueses e
espanhóis principalmente, de diversas congregações, como
jesuítas, franciscanos, carmelitas, capuchinhos,
beneditinos, oratorianos e clérigos diversos. A
escolarização era apenas um instrumento de catequese, de
cristianização do índio, que freqüentemente era
“pacificado” e sua mão de obra escravizada para ajudar a
construir o projeto colonial.
O Segundo Período – “As Primeiras Letras e o Projeto
Civilizatório”, que vai de meados do século XVIII
até meados do século XX, divide-se em duas fases:
A primeira - “Fase Pombalina” que vai de meados
do século XVII até meados do século XIX, caracterizou-se
pela instituição do “Diretório Pombalino”, em 1757 (Perrone-Moisés,
2002), que trouxe grandes mudanças na política
educacional criando a vila pombalina, que “por natureza
e por propósito deliberado, era o instrumento e o espaço
físico através dos quais deveria se processar a
integração do índio das missões ao universo maniqueísta
do mundo colonial” (NETO, 1988, p.25).
A segunda fase – “O Império, a Primeira República e
as Ditaduras” – vai de meados do século XIX até
meados do século XX.
A principal medida do Império vem em 1845 com o
Decreto nº 426 que contém o “Regulamento acerca das
Missões de Catequese e Civilização dos Índios”, que
constitui-se numa reunião sistematizada da legislação
anterior. Nele, estabelecem-se as bases do sistema
indigenista do Império que permaneceria operante até
1889.
A Primeira República, é marcada pela criação do
SPI – Serviço de Proteção ao Índio, em 1910, com o
estado brasileiro implementando uma política indigenista
de “integração” à sociedade nacional, pois o índio era
visto numa condição étnica inferior.
Paralelo à ação do SPI, continuaram as missões
religiosas católicas e evangélicas, a atuarem na mesma
perspectiva integracionista que perdurou no período das
Ditaduras, sendo a instituição regida por novos
Regulamentos, como os de 1936 e 1942, na ditadura
Vargas. (Netto, 1997).
Terceiro Período – “O Ensino Bilíngüe” dos anos
1970 até o século 21, dividido em duas fases:
A primeira fase – “A FUNAI, o SIL e a educação
bilíngüe de transição”
A posterior criação da FUNAI - Fundação Nacional do
Índio em 1967, trouxe algumas mudanças: elege-se
oficialmente o ensino bilíngüe como forma de "respeitar
os valores tribais"; em 1973, o Estatuto do Índio - Lei
6001/73, tornou obrigatório o ensino das línguas nativas
nas escolas indígenas.
A segunda fase: “O Indigenismo Alternativo, o
Movimento Indígena e as Escolas Indígenas”
caracteriza-se pela realização de projetos alternativos
de educação escolar, com a participação de Organizações
Não-Governamentais (ONGs) surgidas no final dos anos 70,
na ditadura militar. É o período também, de realização
de Assembléias Indígenas em todo o país que propiciaram
a articulação de lideranças indígenas até então isoladas
entre si. Estamos vivendo este período, com a aceleração
dos processos de escolarização das Aldeias.
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