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HISTÓRIA DO POVO GUARANI NO BRASIL
Domingos Nobre
Cinco séculos de contato com os portugueses e espanhóis
produziram muitas transformações irreversíveis, na
população Guarani, como: a enorme diminuição
demográfica, o aprisionamento territorial, as crises
políticas internas de liderança e o suposto impacto das
missões sobre a religião e religiosidade dos Guarani.
Hoje os Guarani somam apenas 35.000 índios em território
brasileiro e cerca de 90.000 em territórios paraguaios,
argentinos e bolivianos, cifras inexpressivas em relação
à população Guarani colonial; todos os grupos Guarani
encontram-se confinados em Aldeias relativamente
pequenas ao longo do litoral, se comparadas às extensas
áreas que ocupavam os grupos Tupi-Guarani anteriormente
e que iam da Amazônia à Bacia do Prata constituindo uma
“nação em estado de liberdade”; diversas novas Aldeias
menores surgiram a partir da divisão entre lideranças,
assim como grupos macro-familiares foram obrigados a
conviver entre si, confinados em diminutas e poucas
áreas, criadas como Postos Indígenas pelo Estado
brasileiro, a partir de 1910. Muitas igrejas
protestantes com suas missões estão instaladas hoje,
dentro de aldeias Guarani e vários índios convertidos
transformaram-se em pastores. Haveria, hoje, guarani
católicos e guarani crentes, mas em alguns casos
preservando a essência de uma religião Guarani.
Meliá (1997) resume a
história do Paraguai até fins do século XIX como sendo
uma história de Guarani coloniais e que são os três
grandes momentos desta história guarani colonial que se
há de buscar como “elos perdidos” para dar consistência
à coluna vertebral da história paraguaia. Para ele, o
primeiro ato propriamente colonial foi a instalação da
encomienda por Domingo Martinez de Irala, em 1556. O
segundo momento se inicia com a “redução” dos Guarani,
primeiro, pelos frades franciscanos e os padres
jesuítas, depois. O terceiro espaço histórico se abre em
1768 com a expulsão dos jesuítas da Colônia espanhola.
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